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Dizer não sem culpa: por que é tão difícil?

Foto do escritor: V. Ziemniczak
V. Ziemniczak
23 de set.
2 min de leitura
Dizer não sem culpa: por que é tão difícil?

Você já se viu dizendo "sim" quando tudo dentro de você gritava "não"?


Aceitou um convite que não queria, assumiu uma tarefa que não era sua, engoliu a opinião contrária só para manter a paz? E depois veio a culpa: não por ter dito sim, mas por imaginar o que aconteceria se dissesse não. Vamos conversar sobre isso?


Na Terapia Cognitivo-Comportamental integrada à Terapia de Esquemas, entendemos que a dificuldade de impor limites não é simplesmente "falta de atitude". É um padrão emocional profundo, sustentado por crenças que se formaram muito cedo. A mente aprendeu, em algum momento, que dizer não era perigoso: podia gerar rejeição, conflito, abandono ou a perda do afeto. E, para se proteger, desenvolveu a estratégia de agradar, ceder, se adaptar.



Os pensamentos automáticos que surgem nesses momentos costumam ser assim:

"Se eu recusar, ele vai ficar chateado comigo",

"Vão pensar que sou egoísta",

"Preciso ser útil para ser aceito",

"Se eu não fizer, ninguém mais vai gostar de mim".

São frases que revelam uma necessidade intensa de aprovação e um medo silencioso de desagradar.


Na Terapia de Esquemas, olhamos para as crenças que alimentam esse ciclo. Aquela sensação de que suas vontades são menos importantes que as dos outros, por exemplo, é uma das mais comuns. Também há pessoas que acreditam que cuidar de todos é sua obrigação, e a busca de aprovação, que faz o próprio valor depender do reconhecimento dos outros. Essas crenças não são falhas de caráter, são feridas que precisam de cuidado.


Dizer não, para muitas pessoas, é vivido como um ato de agressão. Mas, na realidade, é um ato de honestidade. É a fronteira que separa o que você pode dar daquilo que está te esvaziando. Sem limites, a relação com o outro deixa de ser troca e vira performance. E o preço é alto: cansaço, ressentimento, ansiedade e uma sensação de estar vivendo a vida dos outros, não a sua.


Se você se reconheceu, saiba que é possível reaprender. Na psicoterapia, trabalhamos juntos para identificar as crenças que tornam o "não" tão ameaçador, questionar os pensamentos disfuncionais e, principalmente, acolher a parte de você que aprendeu a se anular para ser amada. Aos poucos, você descobre que pode agradar sem se abandonar e que as relações saudáveis sobrevivem aos seus limites.


Se dizer não pra você é muito difícil, talvez seja o momento de olhar para isso com mais profundidade. Você não precisa continuar carregando o peso de agradar a todos. Fazer terapia também é uma forma de se relacionar melhor com você mesmo e com o mundo.

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